O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, a partir de 3 de julho, Carolina Caycedo: confluências. Reunindo fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a mostra destaca as múltiplas relações entre rios e comunidades, articulando questões ambientais e formas de resistência. A exposição recebe o título da instalação inédita Confluências, produzida de forma colaborativa durante a Cúpula dos Povos no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em Belém (PA), e apresentada ao público pela primeira vez nesta exposição. Após sua exibição no MASP, a exposição seguirá em itinerância para El Museo del Barrio, em Nova York.

Nascida em Londres e criada na Colômbia, Carolina Caycedo (Reino Unido, 1978) cresceu às margens do rio Magdalena, experiência que marcou profundamente sua relação com a ecologia e sua produção artística. Importante curso d’água colombiano, o rio tem sido impactado pela construção de barragens, tema recorrente na obra da artista, que investiga as dimensões simbólicas, sociais e políticas da água.

Confluências foi desenvolvida em diálogo com o Movimento Internacional dos Atingidos por Barragens, por Crimes Ambientais e Pela Crise Climática durante a Cúpula dos Povos, na ocasião da COP30. A instalação reúne camisetas, bandeiras e banners produzidos pelos próprios participantes do encontro. A obra evoca a ideia de confluência não apenas como encontro entre corpos d’água, mas também entre pessoas, culturas e formas de resistência, aproximando diferentes experiências de luta em defesa dos rios e dos territórios.

Com curadoria de Isabella Rjeille, curadora, MASP, a mostra evidencia um percurso na produção de Caycedo que parte da denúncia de violações sociais e ambientais e avança em direção à promoção de um espaço de proposição, reparação e cura. Ao longo de sua trajetória, a água permanece como força central e elemento estruturante de sua prática artística. Esse interesse se manifesta, entre outras obras, na série de esculturas Cosmotarrayas [Cosmotarrafas] (2016–em processo). Desenvolvidas a partir do envolvimento da artista com comunidades ribeirinhas, as obras são inspiradas na maneira como pescadores penduram suas redes em troncos de árvores para secá-las. Compostas por redes de pesca artesanais suspensas e preenchidas por objetos coletados pela artista, as Cosmotarrayas reúnem histórias, memórias e vestígios das múltiplas formas de vida que existem dentro e ao redor dos rios.

“Embora a denúncia siga presente em sua prática, o trabalho de Carolina Caycedo tem se deslocado cada vez mais para um campo de proposição e valorização da vida. Nesse movimento, a artista reconhece os legados de mulheres, ativistas e outras pessoas que estiveram à frente de causas ambientais, valorizando suas trajetórias e contribuições para outras formas de pensamento ecológico na América Latina e no mundo”, comenta a curadora Isabella Rjeille.

Esse movimento também pode ser observado em Minha linhagem feminina da luta (2018–2019), obra pertencente ao acervo do MASP e apresentada na mostra. Parte da série Genealogia da luta, a obra evidencia o interesse da artista por trajetórias ligadas às lutas sociais e ambientais, reunindo um extenso conjunto de retratos em desenho de mulheres ativistas de diferentes países e do Brasil. Nos versos, Caycedo registra as histórias de cada retratada, entre elas Marielle Franco, Tuíra Kayapó, Ana Laide Barbosa, Anna Terra Yawalapiti, Dorothy Stang e Maria do Carmo Silva D’Angelo.

Como parte da programação da mostra, Caycedo realiza a performance Atarraya no dia 4 de julho, sábado, no Vão Livre. A obra reúne vozes afetadas por infraestruturas hídricas como barragens e projetos de canalização. Durante a ação, uma pessoa dá voz a essas narrativas enquanto outra lança repetidamente uma rede de pesca ao espaço. Ao final, o público é convidado a sustentar e estender a rede coletivamente, em um gesto de solidariedade com as comunidades e ecossistemas evocados pela performance.

Carolina Caycedo: confluências integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Damián Ortega, Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.