A exposição "Tudo bem", do artista capixaba Hilal Sami Hilal, tem como fio condutor o trecho de uma música de Bob Dylan, que o artista sempre guardou em sua memória:
Tudo bem, meu filho? Tudo bem, mamãe (só estou sangrando)
As palavras se repetem como um mantra em diversos trabalhos da exposição. A obra principal conta com 5 peças independentes de 150x150 cm, que juntas compõem um grande painel de 4,50m de cobre e oxidação, em formato de um grande “curativo”. Por entre os planos transpassados, a área da “ferida” forma uma cruz, um curativo gigante. Outros trabalhos em pequena dimensão surgem a partir de pedaços deste, onde o artista utiliza um procedimento de gravura, utilizando um produto oxidante, formando pequenas placas de cobre de 42 x 42 cm.
Etiquetas coloridas bordadas com o trecho da música evocam Arthur Bispo do Rosário, bem como barras de bronze com a frase dominante impressa e gravada em baixo relevo. A ideia central é falar sobre a linguagem como principal vergalhão de nossa existência, nossa sustentação, trazendo a referência a um ambiente trágico, doentio, em sua poesia. E por outro lado os materiais trazem uma atmosfera sombria mas também brilhante, com a presença de cobre, ouro, pós de metal, oxidantes e tramas.
Outra série de trabalhos presente na exposição começou a se desenhar há 2 anos atrás. “Alepo”, cidade natal do pai do artista, foi palco da guerra na Síria, e dá título à esta série. Trata-se de um tecido de massa de papel e pó de ouro, as marcações feitas com pedras e cacos de ladrilho, lembram furos de bala, evocando as situações de catástrofe da guerra, elevando o título da exposição, tão simples e corriqueiro, a um paradoxo, um enigma típico da poética do artista.
As obras de Hilal Sami Hilal nos levam a um lugar de fascínio e beleza próximo do êxtase religioso, e sua profunda experiência em métodos de gravura dão às obras um caráter de revelação.









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