A Galeria Marilia Razuk tem o prazer de apresentar a exposição Volt, individual do artista carioca José Bechara, com texto de Ana Carolina Ralston.
Volt, título que nomeia tanto a exposição quanto uma das obras em exibição, sugere uma descarga elétrica, um ponto de ignição — metáforas das forças em trânsito e colisão que atravessam o gesto criativo de Bechara. Em diálogo direto com a arquitetura da galeria, as 18 obras inéditas, entre pinturas de grandes e pequenos formatos, ocupam seus diversos ambientes de forma a provocar ritmos de expansão e contração, alternando respiros e densidades na percepção do espectador, e propõem uma imersão sensorial e conceitual nas relações entre cor, espaço, tensão e estrutura.
Nesta nova série, José Bechara aprofunda sua investigação sobre os grids geométricos, elementos que emergem como eixos estruturantes e, ao mesmo tempo, fragmentados. Linhas falham, titubeiam e se dissolvem em manchas e interferências, instaurando um campo de instabilidade visual no qual a cor pulsa e parece respirar diante do espectador.
Como destaca Ana Carolina Ralston, autora do texto da exposição, “a cor no trabalho de Bechara fala sobre o tempo”. Ralston ainda enfatiza que a pintura de José Bechara não busca a pureza da forma ou da cor, mas revela, camada a camada, a impermanência da matéria, suas interferências, vazios e tensões. O uso da cor atravessa a temporalidade que vai da oxidação de metais em lonas de caminhão, presente em sua obra desde os anos 1990, à potência dos tons vibrantes que assumem agora uma presença firme e ressonante em sua obra.









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