A sensibilidade do olhar do Rodrigo Bivar ao selecionar para a mesma exposição obras de dois grandes artistas mostrou que o convite feito a ele para ser o curador foi acertado. E ele realizou mais ainda: ao unir o escultor Manoel Graciano e o pintor Neves Torres pela pintura, me propiciou uma ampliação da percepção. Convido-os também a fazer essa viagem.
Quando conheci o Manoel Graciano, em Juazeiro do Norte, ele já era um senhor (faleceu em 2014). Humilde, era calado, introspectivo. Teve vários filhos, família grande! Alguns deles, talentosos, encontraram também na escultura o caminho para a expressão criativa. No universo da arte dos não eruditos, dos ainda chamados populares, quando o tradicional é que os filhos “colem” na arte paterna, essa é uma família de destaque. Manoel foi contemporâneo de outro grande mestre de Juazeiro, Nino. Embora tivessem proximidade geográfica e ambos escolhessem como meio de expressão a escultura, contando histórias em troncos pintados, só o que os aproxima é a excelência.
Neves Torres – que ainda é vivo, e continua pintando com afinco – descobri em uma das edições da Bienal Naif de Piracicaba. Sua pintura de cores calmas, que lembravam a vida no campo, me impressionou fortemente. Descobri que na verdade ele trabalhara na construção civil e começara a pintar depois de se aposentar, estimulado pelo filho, que o presenteou com pincéis e tinta para que se distraísse. Assim teve início a obra desse excelente artista. Sua primeira exposição individual se deu na nossa galeria, em 2012, com curadoria de Tiago Mesquita, e chamou a atenção da mídia e dos colecionadores, que perceberam a autoria corajosa, a personalidade artística forte através de uma paleta incomum.








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