Galeria Fortes Vilaça e White Cube Săo Paulo tęm o prazer de apresentar a primeira individual de Sarah Morris no país. Para essas exposiçőes simultâneas – que incluem doze pinturas na White Cube, além de um filme e uma série de trabalhos sobre papel na Fortes Vilaça – a artista lança seu olhar para as duas principais cidades brasileiras, com suas complexas camadas de leitura.
Sarah Morris examina a cultura e a ideologia do capitalismo tardio e seus efeitos na arquitetura, no planejamento urbano e na burocracia social, dando origem ao que a escritora Bettina Funcke identificou como 'a hiper-intensidade de nosso tempo'*. Ela descreve ainda que seus filmes e pinturas, atividades que a artista desenvolve paralelamente, atuam como uma maneira de investigar, traçar e jogar com as 'tipologias urbanas, sociais e burocráticas'.
Na nova série de pinturas, em exposiçăo na White Cube Săo Paulo, Morris foca-se na cidade de Săo Paulo buscando inspiraçăo em uma ampla variedade de fontes, tais como suas construçőes modernistas, seus marcos icônicos e a paisagem geográfica única. Edifícios de Oscar Niemeyer, e sua influęncia no vocabulário visual do Brasil como um todo, bem como os trabalhos de Osvaldo Arthur Bratke, Roberto Burle Marx e Lina Bo Bardi, serviram como pontos de partida para Morris, ao lado de referęncias mais cotidianas como frutas tropicais, placas de rua e capas de LPs da bossa nova.
Nestas pinturas abstratas – todas em tinta esmalte sobre tela –, Sarah Morris emprega duplicaçăo, simetria e compressăo para construir a tensăo dentro de suas composiçőes, utilizando uma paleta de violeta, laranja, amarelo canário, azul celeste e preto, em padrőes que se repetem, se fragmentam e ‘desmoronam’. Assim como seus filmes, as pinturas emergem de uma fusăo de influęncias e transparecem uma energia e movimento constantes.
Formas circulares parecem se proliferar, como reflexőes abertas sobre a densidade urbana, ainda que contidas por faixas horizontais de cor ou fragmentadas e bifurcadas, lembrando um calendário lunar. Em algumas obras, como Fura-Fila (Săo Paulo, 2014), a artista se refere a aspectos específicos da cidade - neste caso, ao monotrilho experimental e controverso que por muitos anos manteve-se como uma presença inacabada e esquelética dentro da capital paulistana.
O filme Rio (89 minutos, 2012), que dá nome ŕ mostra na Galeria Fortes Vilaça, é o décimo primeiro filme da artista e retrata as múltiplas e complexas camadas desta que é a mais contraditória das cidades registradas por ela. Năo escapam ao olho de Morris o erotismo organizado e aparente dos cariocas, as diversas realidades da vasta expansăo urbana, a sua produçăo industrial e as minúcias da vida cotidiana. Ŕ maneira de um flâneur, a câmera perambula por lugares tăo diversos quanto as areias de Ipanema, edificios-ícones da arquitetura modernista, estádios de futebol e favelas. O trabalho concentra-se na arquitetura, mas procura ir além ao tentar desvendar como a cidade opera sua interaçăo social e por que, afinal, o Rio desempenha papel tăo fundamental na construçăo da identidade do país no exterior.
No segundo andar da galeria, a artista apresenta um conjunto de trabalhos sobre papel. Em destaque, obras que Morris criou a partir de pôsteres de filmes emblemáticos do cinema brasileiro ou de alguma forma ligados ao país.
Sarah Morris nasceu em 1967, no Reino Unido; vive e trabalha em Nova York, tendo dupla nacionalidade. Suas exposiçőes individuais recentes incluem Kunsthalle Bremen (Bremen, Alemanha, 2013); Wexner Center for the Arts (Columbus, EUA, 2012); Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen (Dusseldorf, Alemanha, 2010); MAMbo (Bologna, Itália, 2009); Museum für Moderne Kunst (Frankfurt, Alemanha, 2009); and Fondation Beyeler (Basiléia, Suíça, 2008). Ela também tem participado de diversas coletivas importantes, incluindo The Adventures of the Black Square, Whitechapel (Londres, Reino Unido, 2015); The Collection: First Exhibition, Fondation Louis Vuitton (Paris, França, 2014); Une histoire, art, architecture et design, des années 80 ŕ aujourd'hui, Centre Pompidou (Paris, França, 2014); Wall Works, Hamburger Bahnhof Museum für Gegenwart (Berlim, Alemanha, 2013); CITY SELF, Museum of Contemporary Art Chicago (Chicago, EUA, 2013); Contemplating the Void, Guggenheim Museum (Nova York, EUA, 2010); Trienal da Tate Gallery (Londres, Reino Unido, 2003); 25Ş Bienal de Săo Paulo (2002); e 4th Bienal de Santa Fé (2001).








![Claudia Alarcón & Silät, Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (detalhe), 2024-25. Cortesia da MASP](http://media.meer.com/attachments/cef6c4e8e49f7349af629d08468c7b908db3a101/store/fill/330/330/2b20296d35fd8750c3f3a8b27867226c366eba8facc153d777ac9139f5f9/Claudia-Alarcon-e-Silat-Hilulis-ta-llhaiematwek-Un-coro-de-yicas-Um-coro-de-yicas-detalhe-2024.jpg)
![La Chola Poblete, No era um chico triste, era um HDP [Não era um garoto triste, era um FDP] (detalhe), 2025. Cortesia da MASP](http://media.meer.com/attachments/3e3663acd91222323ca0c64735accd005da56fd9/store/fill/330/330/a6659a31762eb6591922c72151897dd85a57921f3176fdbabd23c01e8841/La-Chola-Poblete-No-era-um-chico-triste-era-um-HDP-Nao-era-um-garoto-triste-era-um-FDP-detalhe.jpg)
![Sandra Gamarra, Recurso VII [Resource VII] (detalhe), 2019. Cortesia da MASP](http://media.meer.com/attachments/4bf294b76ad2b9f45384ab1921c751b2ec8a93ea/store/fill/330/330/b05353cd2d4e75531aa4a8d702bf11b5aa0793dd52c41e49338d6325e673/Sandra-Gamarra-Recurso-VII-Resource-VII-detalhe-2019-Cortesia-da-MASP.jpg)
