Sim, só podem ter-se partido os espelhos, destes os galãs e daquelas, as 'galonas', todos grandes entendedores dos generalismos televisivos, professorados pelos especialistas genéricos, doutores jornalísticos, encenando aos sentados espectadores da plateia estudantil, semianestesiada...

Eram idos os anos 1960, 70 e 80, em que a insuficiência de escolas era suprida por aulas televisionadas, executadas pelo acordo das licenças de distribuição da comunicação social, nomeada de iniciativa 'Mobral'1 estatal, para a compensação contratual das sociedades económicas de notícias. E também de arte, música e outros entretenimentos importantes, nos vários aspectos psicológicos populares da época.

Todavia, hoje, veem-se alguns 'descolados' a chamar de 'mundo' o que acontece apenas ao sul de uma porção ocidental do globo. Comparativamente ao que fora nas outras partes do mundo total, em que o sol ou a lua, a esta outra parte, opõem-se diariamente em luz e sombra, inclusive. Ou seja, esquecem que o mundo é redondo e compreende África, Oriente Médio, além de Ásia e Oceania, ainda. Pensam que tudo o que limitadamente assistem, ou ouvem e, portanto, supõem, seja o mundo todo.

Com sucursais e correspondentes baseados em alguns confins, maioritariamente ocidentais e de língua latina ou inglesa, não conseguem abarcar além das suas próprias fronteiras limitantes. Naturalmente e financeiramente, as certezas precisam ser mais calmas e mais vagarosas, para que a pressa não envergonhe e reverta a incerteza supostamente imutável de uma breve viagem de turistas, estagnados nas fotografias de papel, digitais e nas memoriais recentes. Nas literárias, também...

Decidem que a demanda e a oferta de energia eólica são uma. Ou duas. E a elétrica ou fóssil?! E a gasosa? Bebe-se com Tubaína2... Decidem que o analógico se extinguiu e que a desinteligência natural foi vencida pela artificial digital... sofrem destas artificialidades com o empurrãozinho *nudge* que faltava, em tendenciosos desvios ilógicos e que enganam as realidades mais reconhecidas.

Além de traders exportadores, ou seja, caixeiros-viajantes internacionais constantes, poucos donos da verdade contemporânea existem, como eram os antigos navegadores, padres, marinheiros e comerciantes dos descobrimentos globais atemporais.

Ninguém dizia do mundo todo nada a eles. Eles é que diziam e eram perguntados a respeito de como era o mundo. Hoje, sejam presidentes monoglotas ou embaixadores poliglotas, apenas traders diplomatas dinâmicos conseguirão observar com discernimento as incongruências, inverdades e falácias dos assuntos sociais, políticos e económicos em que navegam diariamente, mas que falsos especialistas, coaches & influencers, pregam nas suas 'igrejas comerciais' com técnicas de novos mercados piramidais. Piramidais, porque, se energéticos, mirabolantes ou simplórios, serão parecidos às bolhas disformes da conversa da treta. Vendem comunismo vencido, sanções expiradas e políticas populistas ambidestras.

Os incautos acreditam e dão corda às claras verdades mentirosas. Caminham para a forca. Suicidam as suas empresas, as suas poupanças e os seus futuros. Levam toda a malta ajuntada no rebanho para o mesmo barco. Esqueceram-se do básico, do que viram e assistiram, inclusive nas tevês dos seus antepassados, que já alertavam, mas mesmo eles partiram os seus espelhos. Não suportaram enxergar então a verdade, nua outra vez e feia, por não terem dado cabo quando crua; nem os seus descendentes, que à força tentaram impor ao presente, pelos desejos ilusórios da fantasia infantil. Acreditaram no bilhete premiado, na conversa da tanga e na banha da cobra; no político convertido, no economista financista e no advogado do diabo! Agora é tarde, e já era... foi vendido, e o que vai ter que entregar?!

Neste ramo não há hipóteses; o tempo não volta. Mas corrige ou arrefece um coração humilde, reconhecedor dos seus pecados que, outrora caros, um troco não lhes dará. Nem palanque, nem plateia. Cobrará barato, ao contrário, porque a energia da tumba piramidal e a bolha de sabão de um plano Ponzi3, nem a inflação reajustada por juro 'incomposto' compensarão.

Geralmente, um acaso do acaso é inseguro. Se um raio cai duas, três vezes ou mais de quatro no mesmo lugar, não é coincidência, mas insistência. É como no Brasil varonil que, se houvesse tido cinco presidentes presos, comprovaria que o espelho está mesmo quebrado. Com defeito, dito e feito... a bruxa já não funciona, nem tem magia. E com golpe atrás de golpes de sorte, é livramento ou azar? Sim, espelho partido dá azar, dizem os ditados populares e seus Santos. Sim, porque, conscientes, instruídos, insistentes na correção, não podem mais desmentir em ser.

É de pequeno que se torce o pepino, mas o pepino grande retorcido está a influenciar mal um pepino precoce. Já acreditam só na escola da vida, quem não vai à escola, e fornecem informações falsas à inteligência artificial idiomática tradicional que, experiente, de tanta inverdade, a verdade fará. A mentira dita será aceita e as incorreções se repetirão até um basta coletivo ou, por fim, com um tiro no pé. De tudo e de todos. Sabe-se lá? Quem viver verá! Mas provavelmente com mal de Alzheimer, propositadamente, se alguma justificativa melhor não houver, outra vez esquecerá...

Notas

1 Movimento Brasileiro de Alfabetização.
2 Bebida refrigerante regional de guaraná.
3 Pirâmide financeira.