As viagens e negócios recentes nos últimos 30 anos fizeram-me pensar sobre a China, entre 1.600 e 1.900 d.C., para entender a outra, nova e moderna, de hoje...!

Com história rica, mas também esquecida ou omitida, já fez-se mostrar como moderna e superdesenvolvida ainda no século 17, elogiada inclusive pelos peregrinos jesuítas que, presentes naquelas sociedades asiáticas desde as dinastias Khan, Manchu e Ming, pesquisavam, pregavam e comerciavam. Intercambiavam culturas e experiências sociais foram adjudicadas por britânicos e portugueses aos seus próprios costumes. Desde o consumo do chá à organização administrativa e sua governança, quando as ciências econômicas e públicas já eram monarquicamente muito respeitadas. Exerciam exemplo, segundo estes religiosos, desbravadores e embaixadores políticos originais que serviam para difusão dos feitos e experiências mútuas, ocidentais & orientais.

Causa ainda alguma curiosidade justificada a percepção invertida dos comportamentos antagônicos, desde os mais simples e ordinários do dia a dia, como o uso e uma percepção direcional das posições e sentidos, à esquerda e direita, não só na escrita! Canhotos e destros a percebem diferente no Ocidente, bem como motoristas e condutores ingleses também. Denuncia, inclusive, os ilógicos raciocínios comparativos, intransponíveis nas culturas que ainda usam as viseiras engessadas do passado.

Citações históricas comprovam e servem para considerar uma reorientação mundial, quando já é hora da Nova Rota da Seda, a redirecionar os caminhos modernos nas relações comerciais internacionais, sem esquecer os demais assuntos transversais inerentes a esta. Que não são poucos: desde o financeiro até a segurança, a solidariedade e o meio ambiente etc.

Acabo de ler os comentários de alguns YouTubers após uma breve entrevista do sociólogo, chefe da Agência de Promoção das Exportações brasileiras. Tal profissional-executivo só pode estar, sim, envolvido numa pesquisa profunda, não apenas no óbvio desenvolver de uma Diplomacia Económica potencial. Igualmente, um médico anestesista que é o Ministro do Comércio Exterior brasileiro poderá estar n'outra pesquisa também, deveras importante, para ressignificar o tal Comércio Exterior, não só nas suas atividades-meio e fim.

Talvez uma reinvenção estratégica sequer imaginada pelos ocidentais dos BRICS, como praticantes menos tradicionais da tal arte económico-política, esteja em construção simultânea às experiências de convivência técnica dentre estes agentes e atores do novo e famoso bloco econômico dos países reemergentes.

Os raros traders do mercado exterior emergente estarão ansiosos pela suposta surpresa empresarial e econômica que possa estar em ebulição atualmente...! Qual será esta surpresa? A comparar nesta, uma rápida transformação comercial ibérica de Espanha e Portugal, onde o primeiro pouco dominava um idioma comercial como o inglês e o segundo ainda vivia cerrado numa pequena economia estatal e burocrática. O turismo exerceu grande influência ferramental, inclusive.

Relembrando, entretanto, que os emergentes não se sentirão tão ofendidos pelo reiterado equívoco com que este vital setor produtivo exportador redundantemente internacional, principalmente de know-how, teve de ser desconstruído. Investimentos de décadas passadas foram desperdiçados ou perdidos com um simples ato de financeirização desvalorizada, por meios como o swap cambial; são ações solidárias em que escassos e raros exportadores profissionais regozijam.

Outrossim, mecanismos superdesenvolvidos de criação disruptiva devem estar em ebulição, já brevemente, para fazer frente ao padrão monetário internacional corrente. O Counter Trade1, entre outras práticas menos conhecidas, deve recuperar economias recentemente perdidas.

Aguardemos estes e os demais fatos que a mesma China já atravessava há 500 anos atrás mas, quando esteve no auge interdisciplinar, retrocedeu como qualquer caso natural de protagonismo. Quando, como um produto, também teve um ciclo de vida quase predeterminado. Temos inúmeras características, principalmente as transportadas pelos portugueses e pela família florentina de Marco Polo também, que o Ocidente desconhecia nas suas origens, ou esqueceu.

A reorientação ou ambivalência mundial no futuro próximo será a comprovação de mais um ciclo que se repete mas, com mais algum progresso, intermediário todavia!

Um dos Papas d'antão já dizia que a organização e o desenvolvimento chineses naquelas alturas eram o topo do mundo. Sim, naquela época também já se falava em mundo globalizado, interligado e intercambiável, mesmo. Os confucionistas sempre mantiveram os europeus ensinando na sua própria monarquia, quando inclusive fizeram embaixadas nos serviços estrangeiros.

Hoje, mostram uma presença política e econômica internacional importante, que recuperaram e reinstalaram audazmente. Novos capítulos vão ser escritos durante essa orientação moderna que emerge: assistamos e interpretemos os erros e equívocos atravessados como sendo degraus da evolução e progresso que as sociedades perseguem continuadamente mas, relaxando muitas vezes, como é necessário em qualquer descanso.

Esperemos que agora, finalmente, o façam profissionalmente e sem mais desperdícios insustentáveis. Outrossim, hoje também aparece uma notícia do governo italiano, clamando ao governo espanhol para juntos intervirem numa reversão, em combate à predominância de investimentos chineses na América Latina.

Se for verdade, o próprio Mercado Comum poderá ser a alternativa histórica. Refaz-se então uma negativa imperial chinesa há 100 anos, quando a primeira circum-navegação2 da Armada brasileira solicitou àquela alguma imigração oriental para cumprir um fim da escravidão brasileira que gerou o conhecido golpe republicano na monarquia sul-americana.

Os chineses acusaram falta de respeito às condições ideais mínimas de trabalho naquele Brasil. Sim, o mundo e os seus barcos dão voltas...

Notas

O título deste artigo faz referência ao livro A História da China, de Michael Wood, 2022.
1 Trocas comerciais internacionais.
2 Primeira circum-navegação brasileira e primeira missão do Brasil à China, 1879. Scomazzon & Franco. Dois por Quatro Editora, 2020.