Prepare o agasalho e o estômago, pois hoje nós vamos à Islândia. Eu posso te garantir que nem só de frio e tubarão fermentado vive este lugar magnífico, que fica lá quase no teto do nosso belo globo azul.

O país nórdico é tão esplendoroso quanto tantos outros lugares mundo afora, mas, na minha humilde opinião, a Islândia, se fosse um adorno corporal, seria um brinco, pois eu penso que não existe comparação melhor...

Chegar ao país da Aurora Boreal é relativamente fácil, principalmente se partirmos do território europeu, mesmo se tivermos que encarar uma ou mais conexões; no meu caso, saindo de Lisboa e passando por Bruxelas, cheguei na terra do gelo por volta das 15:00, cansado, mas ávido por conhecer o lugar e a sua noite pulsante. A capital Reykjavik possui uma arquitetura sutil e várias opções turísticas capazes de agradar a gregos, troianos e todos os bolsos. De um modo geral, é fácil se locomover pela capital, porém, no meu caso, uma vez que o meu hotel está localizado bem no centro, resolvi iniciar a minha incursão pela famosa Laugavegur, uma rua longa que fica bem na zona histórica desta região. Cheia de cafés, lojas e cores, esta rua é uma festa para os olhos, desde edifícios tombados e suas fachadas coloridas a restaurantes que vão te apresentar o fino da bossa na gastronomia local.

Como a caminhada é longa, percebi que a hora do jantar já havia chegado e resolvi entrar no Loá Matur & Vin, que, com ambiente aconchegante, pratos fartos e atendimento impecável, eu diria que é como estar em casa; destaque para o pernil de cordeiro, que é uma ode à boa mesa. Agora some a viagem, mais uma boa caminhada e a fartura, então terá um corpo exausto; sendo assim, já é hora de voltar para o hotel.

No dia seguinte, decidi pegar a estrada e explorar ainda mais a região. De carro alugado, segui pelas excelentes estradas e paisagens até chegar à Península de Reykjanes, distante cerca de 70 km a sudoeste de Reykjavik, onde me deparei com a maravilhosa Lagoa Azul, um spa geotérmico que fica em cima de uma planície vulcânica; o lugar é perfeito para relaxar e fazer fotos maravilhosas, o que não é muito o meu caso, mas, para quem gosta, é um prato cheio. Os valores de acesso podem variar de acordo com o horário, portanto verifique os horários com antecedência; de resto, o local só deixou a desejar pela falta de acesso aos cadeirantes.

No fim da tarde, resolvi voltar em direção à capital, com foco na península de Seltjarnarnes e o farol de Grótta; pois eu já sabia se tratar de um excelente local para se presenciar um maravilhoso fenômeno chamado aurora boreal. O ideal é aproveitar noites de céu limpo, livre de nuvens e de poluição, e os meses ideais são de outubro a março; e, como estamos em dezembro, agora é sentar e esperar...

A natureza é extremamente caprichosa nesta parte do planeta; a impressão que se tem é a de que há alguém com um pincel lá no alto colorindo tudo com a sua aquarela, pois é exatamente o que eu sinto agora vendo o suave balé da aurora no lindo céu da Islândia.

Depois de mais uma noite bem dormida, chegou a hora do café da manhã no hotel e, como não poderia deixar de ser, me deleitei exatamente com a comida típica local, onde é claro não poderia faltar Skyr; Rúgbrauð, salmão defumado e aveia. Em seguida, foi pé na estrada em direção ao Círculo Dourado. O local concentra também o que eu considero as maiores atrações turísticas do país: Gullfoss, Geysir e Thingvellir, distante mais ou menos 115 km da capital, mas também de fácil acesso graças aos ótimos acessos. Em Gullfoss, você vai se deparar com uma maravilhosa queda d'água; em Geysir, os sensacionais gêiseres; e em Thingvellir, local que é patrimônio mundial da UNESCO, você pode caminhar pelo local de encontro das placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia. No mais, eu não vou me aprofundar nas dicas, pois eu sugiro a você que lê estas poucas palavras que faça as malas e vá ver in-loco as belezas da região.

De volta ao hotel onde estou hospedado, vou direto para a rua à procura do famoso Hákarl, pois eu não poderia ir embora sem provar o prato mais famoso da casa, não é verdade? E eis que ele chega ao balcão do pub, acompanhado por um cálice de Brennivín, pois, na verdade, a iguaria se trata de uma entrada, um petisco... De aroma forte e bastante duvidoso, ele tem um sabor intensamente salgado, mas, para mim, valeu a experiência e, como dito no começo desta prosa, a Islândia é muito mais que tudo o que foi dito.

Vá, veja e prove!