A Narrativa inaugura a exposição colectiva Masterclass Narrativa 2025/2026, no próximo dia 7 de Março, às 16h, em Lisboa. Com entrada livre, a exposição revela os trabalhos desenvolvidos na 7.a edição da Masterclass, que anualmente dá a conhecer novos nomes da fotografia portuguesa. Os autores seleccionados – Catarina Cesário Jesus, Cátia Valente, Denis Graeff, Fernando Pimenta, João Pedro Almeida, Raquel Antunes – desenvolveram trabalhos que exploram temas como o território, o luto, a memória, o isolamento, a devoção e a transformação.
Nomes emergentes da fotografia portuguesa
Catarina Cesário Jesus. Cabra cega
Cabra cega observa a experiência de caminhar à deriva num presente instável e impreciso. Parte de um estado de dúvida prolongada, no qual a fragilidade, o desgaste e a incerteza se tornaram condições recorrentes. Interroga a forma como se habita um mundo sem direcções claras, onde o movimento persiste sem promessa de chegada. Um olhar marcado pela suspensão, pela repetição e pela resistência silenciosa.
Raquel Antunes. Matriz
Matriz apresenta um ensaio sobre a complexidade biológica e simbólica da mulher. Ao traçar paralelos entre os ciclos da natureza e as transformações da vida feminina, o trabalho utiliza a matriz do corpo como suporte para uma reflexão sobre a menopausa, onde a intervenção a vermelho delimita o território entre o corpo e o elemento natural.
João Pedro Almeida. Chão que não se pisa, não dá fruto
Chão que não se pisa, não dá fruto documenta o Pinhal Interior da Beira Baixa como território marcado pelo abandono e pelo ciclo de exploração da matéria-prima, levantada no Inverno e devastada no Verão. Regista o período do ano fora do foco noticioso, mostrando a relação entre pessoas, lugares e natureza em contínua desertificação.
Denis Graeff. Fissura
Fissura vê Lisboa como síntese nacional de uma sociedade sob tensão. Entre pressões urbanas e sociais, o projecto capta um momento de instabilidade e um horizonte futuro que desafia valores estabelecidos, convidando à análise do presente colectivo.
Fernando Pimenta. Dez razões pelas quais estamos aqui
Dez razões pelas quais estamos aqui constitui uma reflexão intimista sobre a morte do pai do autor, ocorrida quando ele tinha seis anos — um acontecimento abrupto e com um legado profundo. O trabalho deambula sobre a ausência, a memória, a família e o luto, explorando como essa perda moldou essas percepções.
Cátia Valente. Por cuidar
Por cuidar é um testemunho de proximidade, tempo e vínculo, onde o extraordinário se revela na repetição do quotidiano — uma filosofia partilhada em que a devoção se manifesta no acto de cuidar. Em Portugal, apesar do Estatuto do Cuidador Informal, persistem desafios relacionados com a visibilidade, o apoio e o reconhecimento do desgaste associado ao cuidador. O projecto percorre diferentes contextos, revelando uma linha comum: a presença continuada, a adaptação silenciosa e o desgaste inerente ao quotidiano do cuidar.












