Em 2025 parece que a cada amanhecer há uma nova inteligência artificial sendo lançada. É o Gemini 2.5 Pro da Google DeepMind, que entende texto, imagem e código com uma precisão impressionante; o Qwen 2.5/VL-32B da Alibaba, que combina leitura de imagens, sons e textos em um mesmo raciocínio; o Mistral Medium 3, que entrega o desempenho de modelos gigantes com custo menor. Tudo isso mostra que estamos em uma era em que a inovação tecnológica acontece de forma quase diária. A inteligência artificial não é novidade, existe há décadas, mas o que vemos hoje é uma transformação contínua, em que cada atualização é mais rápida, mais complexa e mais impactante do que a anterior.

O resultado desse avanço é uma verdadeira maratona. E, como toda corrida, quem não acompanha o ritmo acaba ficando para trás. Só que, nesse caso, ficar para trás não significa apenas não entender a tecnologia, mas perder oportunidades profissionais, produtividade e até relevância no mercado de trabalho. Em outras palavras, quem não acompanha o avanço da inteligência artificial acaba sendo ultrapassado por quem sabe utilizá-la. Mas não basta apenas saber que essas tecnologias existem. É preciso compreender o que elas fazem e como podem ser aplicadas. A diferença entre quem prospera e quem fica estagnado está justamente na capacidade de entender e usar essas ferramentas de forma estratégica.

A IA já está substituindo atividades que antes eram exclusivas de seres humanos. Em 2025, por exemplo, a Salesforce anunciou que substituiu milhares de atendentes de suporte por agentes inteligentes de IA, através da plataforma Agentforce, capaz de resolver dúvidas e simular empatia com o cliente. No campo das traduções, ferramentas como o DeepL e modelos de linguagem avançados já realizam versões quase perfeitas de textos complexos, transformando o papel do tradutor humano em um editor de precisão. No setor bancário e de serviços, assistentes virtuais já resolvem a maioria das solicitações simples, diminuindo a necessidade de equipes inteiras de atendimento.

Mesmo assim, há um dilema humano diante dessa maratona tecnológica. Às vezes me pego desejando me afastar das telas, passar um tempo longe dos algoritmos, respirar sem a mediação de uma IA. Mas percebo que isso só seria possível se eu me desconectasse totalmente do mundo digital o que, convenhamos, é inviável. Como pesquisadora e cidadã inserida em uma sociedade cada vez mais tecnológica, o uso de inteligência artificial deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade. Ignorar seu uso seria quase o mesmo que ignorar a própria linguagem escrita em tempos antigos: um retrocesso.

Essa trajetória da inteligência artificial não começou agora. Desde Alan Turing, lá na década de 1950, a humanidade tenta compreender o que diferencia o pensamento humano do comportamento de uma máquina. O famoso “teste de Turing” propôs justamente isso: se um computador conseguir manter uma conversa de forma tão natural que o interlocutor humano não perceba que fala com uma máquina, então ele pode ser considerado inteligente. Desde então, inúmeros programas passaram por versões desse teste, e os resultados se tornaram cada vez mais impressionantes.

Um dos marcos dessa evolução foi o AlphaGo Zero, criado pela DeepMind. Ao contrário do primeiro AlphaGo, que aprendeu a jogar observando partidas humanas, o Zero aprendeu sozinho, jogando contra si mesmo. Em poucos dias, superou todas as versões anteriores e derrotou o campeão mundial do jogo Go, um feito que mostrou que a IA podia não apenas aprender, mas criar novas estratégias, sem qualquer influência humana. Foi um ponto de virada que demonstrou que a inteligência artificial não apenas reproduz o conhecimento existente, mas é capaz de gerar conhecimento novo.

Diante disso, vejo a IA como algo ao mesmo tempo necessário e preocupante. Necessário, porque ela já está transformando positivamente vários setores. Modelos de IA são usados para prever a direção e intensidade de ciclones com antecedência, reduzindo tragédias em áreas de risco. Na área médica, algoritmos ajudam a identificar mutações genéticas, prever surtos de doenças e desenvolver novos medicamentos. Na educação, sistemas adaptativos personalizam o aprendizado de cada estudante, respeitando seu ritmo e suas dificuldades. Mas, ao mesmo tempo, a inteligência artificial é preocupante.

A automação pode provocar desemprego tecnológico, e a falta de acesso a essas ferramentas pode ampliar desigualdades sociais. Além disso, há os riscos éticos: a manipulação de informações, os vieses nos algoritmos e a falta de transparência sobre como os dados são utilizados. Tudo isso mostra que o avanço tecnológico precisa vir acompanhado de regulação, reflexão e responsabilidade. O desafio não está apenas em desenvolver máquinas mais inteligentes, mas em garantir que elas sirvam ao bem comum.

Por isso, acredito que o papel do ser humano nessa nova era não é competir com as máquinas, mas aprender a coexistir com elas. Precisamos compreender seus limites e potencialidades, usá-las com senso crítico e ético, e garantir que o conhecimento tecnológico não se torne privilégio de poucos. O avanço da IA deve ser uma ferramenta de inclusão, não de exclusão. Viver em 2025 é estar no meio de uma corrida em que o ponto de chegada muda a cada semana. A tecnologia avança, se reinventa e desafia o que entendemos como humano. Por isso, a nossa missão é acompanhar, refletir e usar de forma consciente. A inteligência artificial não é o futuro, é o presente. E quem não olhar para ela com atenção corre o risco de ser engolido pelo próprio tempo.