As obras de dois artistas de diferentes contextos temporais, Thiago Barbalho (1984) e Antonio Henrique Amaral (1935-2015), são apresentadas em conjunto nesta exposição através de uma lógica curatorial de contrapontos figurais. Apesar de suas distintas formações genealógicas, Amaral e Barbalho têm como base comum o interesse por figuras híbridas, pelo imaginário onírico e por uma forte recorrência do orgânico.
Barbalho destaca-se entre os artistas emergentes mais recentes do Brasil por sua abordagem magistral dos suportes pictóricos (pintura, pintura mural, escultura, desenho, instalação), capaz de apresentar detalhes minuciosos, marcações de trabalho intensivo, bem como campos composicionais complexos e ambiciosos em toda a superfície (all-over).
Antonio Henrique Amaral, um artista brasileiro referencial e um marco na segunda metade do século XX, é conhecido por sua denúncia cartunesca, porém feroz, do absurdo da vida — notadamente durante o sombrio período da ditadura brasileira — e por sua lucidez política e controle magistral de seu vocabulário figurativo. A presente seleção de pinturas e desenhos emblemáticos de Antonio Henrique Amaral provém quase inteiramente do auge de sua produção, no final da década de 1960 e início da década de 1970, um período caracterizado por um autoritarismo político cruel ao qual as representações satíricas de Amaral se dirigiam de forma incisiva.
A ressonância, e até coincidências figurais, entre as obras de Amaral e Barbalho são testemunhos do parentesco granular das formas, do fato de que a arte existe através de campos de figurabilidade que superam e transcendem programas intencionais e estratégias individuais.
















