A exposição coletiva Rasura, com curadoria de Victor Gorgulho, apresentada na Nara Roesler Rio de Janeiro, reúne obras de artistas de diferentes gerações e origens, incluindo artistas representados pela galeria e convidados especialmente para a mostra. A proposta curatorial se estrutura a partir de uma investigação sobre a fatura da obra de arte, enfatizando procedimentos que revelam dimensões associadas à rasura, ao apagamento, à subtração e à escavação.
O conceito é lido, na mostra, de maneira expandida: obras em suportes variados revelam distintas relações entre os artistas e suas obras. Ora estamos diante de ímpetos de rasurar, de maneira mais ou menos intensa, telas, por exemplo; ora nos deparamos com a polidez de pinturas que, se vistas atentamente, revelam o apagamento e a subtração como formas de operar dentro da prática de seus autores.
Se na década de 1960 a obra de nomes como o do norte-americano Cy Twombly acabaram por edificar um extenso e complexo campo criativo em que a investigação em torno da linha, do uso da caligrafia e da escrita sobre a tela – desafiando o binarismo que separa abstração e figuração –, aqui reunimos trabalhos de dezoito artistas brasileiros cujas distintas produções nos conduzem a refletir acerca da dimensão formal, psíquica, política e, evidentemente, artística, que o gesto de rasurar, em suas múltiplas possibilidades, pode conter.












![Carolina Caycedo, Territory [Território] (detalhe), 2013. Cortesia da MASP](/attachments/3c51749ceba28e56fe1947686e29871f5dd10b6c/store/fill/330/330/4ee02f0a668f6028ea07d5f8247f011141f42a9c6b726473a22c3b1d5731/Carolina-Caycedo-Territory-Territorio-detalhe-2013-Cortesia-da-MASP.jpg)


