
Raquel Junqueira é psicanalista multidisciplinar, professora, pesquisadora e consultora organizacional. Sua trajetória é marcada por um percurso que atravessa diferentes campos do saber, da educação à gestão, da arte à psicanálise, consolidando-se hoje em uma prática clínica que integra conhecimento teórico, experiência de vida e sensibilidade na escuta do sofrimento humano contemporâneo.
Com formação em psicanálise pelo Instituto Valéria Valente e pós-graduação em Psicanálise do Contemporâneo pela PUC-RS, desenvolve um percurso contínuo de aprofundamento em neuropsicanálise, articulando contribuições da psicanálise clássica com estudos contemporâneos da neurociência. É também especialista em neuropsicopedagogia, o que amplia seu olhar sobre os processos emocionais, cognitivos e relacionais, especialmente na interface entre mente, corpo e experiência.
Sua trajetória profissional teve início na área da educação, onde atuou como professora, coordenadora pedagógica e gestora. Esse percurso proporcionou um contato direto com as dimensões subjetivas do desenvolvimento humano, especialmente em contextos de aprendizagem, vínculos familiares e construção da identidade. Paralelamente, desenvolveu atuação em gestão de qualidade e ouvidoria, experiência que contribuiu para a construção de um olhar atento às dinâmicas institucionais, às relações de poder e aos impactos do ambiente de trabalho sobre a saúde mental.
A transição para a psicanálise marca um ponto de inflexão em sua trajetória. A partir de uma experiência de ruptura que a levou a revisitar sentidos, limites e possibilidades, encontrou na escuta analítica não apenas um campo de estudo, mas um modo de compreender a complexidade da existência humana. Essa vivência se traduz hoje em uma clínica que sustenta o sofrimento como algo a ser elaborado, e não eliminado, abrindo espaço para a construção de novos significados.
Sua prática clínica é fundamentada na psicanálise, com referências que incluem Freud, Winnicott, Melanie Klein, Ferenczi e Reich, além de uma interlocução consistente com a psicologia analítica de Jung. A dimensão simbólica e imagética ocupa, nesse contexto, um lugar central, permitindo o acesso a conteúdos que nem sempre se organizam pela via da linguagem racional.
A partir dessa base, Raquel desenvolve uma abordagem multidisciplinar que integra diferentes recursos clínicos, como a neuroarte, a psicoaromaterapia e o estudo dos arquétipos. Esses elementos não são utilizados como substitutos da escuta, mas como vias complementares de elaboração psíquica, considerando que o inconsciente também se manifesta por meio de imagens, sensações e experiências corporais.
Atualmente, atua como pesquisadora no IVV - Instituto Valéria Valente, participando de projetos em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Casa de David. Nesse contexto, desenvolve trabalhos inspirados na abordagem de Nise da Silveira, especialmente no uso da expressão simbólica como forma de acesso ao mundo interno. Essa experiência tem contribuído para aprofundar sua investigação sobre a relação entre imagem, emoção e transformação psíquica.
É fundadora da RJ Psicanálise e realiza atendimentos clínicos on-line e presenciais em São Paulo. Sua clínica acolhe diferentes faixas etárias e contempla temas como luto, adolescência, narcisismo, relações contemporâneas, burnout e sofrimento no trabalho. Além da prática clínica, atua como consultora organizacional, desenvolvendo projetos voltados à saúde mental em empresas e à análise de riscos psicossociais, bem como orientando profissionais em início de carreira na construção de seus percursos clínicos.
Sua produção inclui o desenvolvimento de cursos, pesquisas e participações em entrevistas e projetos de divulgação, com destaque para estudos nas áreas de neuroarte, neuropsicanálise e psicanálise contemporânea. Em sua escrita, busca articular teoria e experiência, oferecendo reflexões que dialogam com os desafios do tempo presente sem perder o rigor conceitual.
Seu trabalho se orienta pela compreensão de que o sofrimento psíquico não pode ser reduzido a categorias simplificadoras, exigindo uma escuta capaz de sustentar ambivalências, conflitos e contradições. Acredita que o processo terapêutico é um espaço de construção, no qual o sujeito pode se apropriar de sua própria história e encontrar novas formas de se posicionar diante da vida.
Reconhece, ainda, que há dimensões da experiência humana que escapam à lógica imediata da explicação, manifestando-se por meio de símbolos, imagens e afetos. Nesse sentido, sua prática também se abre para aquilo que não se diz diretamente, mas se revela no encontro entre analista e analisando.
O símbolo do beija-flor, que a acompanha, expressa de forma sutil essa compreensão: a ideia de movimento, delicadeza e permanência, mesmo diante das transformações. Mais do que um elemento pessoal, representa uma forma de pensar o cuidado — como um encontro que, ainda que breve ou silencioso, pode produzir efeitos duradouros na vida psíquica.
